27.8.19

Querido Blogue,

O problema de não por rótulos nas coisas é que ás vezes queremos açúcar e calha-nos sal. Ora o problema é que eu ontem me enganei no frasco e nem sequer sei o que pus dentro do tacho, logo nem sequer dá para remediar. E fiquei triste porque tinha investido um monte de tempo naquela refeição e agora estava estragada. E como não me apetecia investir mais tempo a tentar consertar aquela refeição decidi que o melhor mesmo era abrir uma dessas aplicações de entrega de refeições prontas ao domicílio. Era só percorrer e lista e escolher. Fácil. Tanta escolha. Temos tanta escolha que passamos mais tempo a seleccionar do que a aproveitar o que escolhemos. E é fácil descartar o que vai dar trabalho para escolher uma coisa rápida que nos mate a fome rápido. Mas já todos comemos aquele hamburguer cheio de calorias vazias e que nos dá fome ao fim de 1 hora. E dei por mim a pensar em como a ilusão de escolha e a facilidade de obter comida com um clique nos faz desistir do prazer de preparar uma boa refeição.
Este post nao é sobre refeições.

16.7.19

Querido blogue,

Vou a festivais de música desde os meus 17 anos. Quando comecei a ir a festivais, era a forma mais barata de termos acesso a um conjunto de bandas que de outra forma não passariam por Portugal, pois não fazia parte das tours da maioria das bandas. Há 17 anos atrás, também não havia esta facilidade em termos acesso aos albuns dos artistas que gostávamos. Os CDs eram caros, o youtube estava a dar os seus primeiros passos, o streaming era inimaginavel. Restavam-nos os CDs piratas e as músicas que demoravam 2 dias a descarregar de plataformas como o Napster e Emule, quando o acesso à internet ainda era feito através de um modem RDIS de 56k.
Quando comecei a ir a festivais de música, existiam duas opções de alimentação: pão com chouriço ou bifanas. Não havia máquinas multibanco no recinto e por isso iamos com o dinheiro contado, sendo que era preciso guardar algum para a viagem de regresso a casa. Não se vendia tabaco no recinto e às vezes a única forma era cravar um cigarro ao vizinho do lado. Havia um ou outro stand de marcas que patrocinavam o festival e que davam uns brindes. Se querias imortalizar o momento com uma foto não tinhas outra opção que não levar uma máquina fotográfica e às vezes as redes de telemóvel deixavam de funcionar por estar a sobrecarregar a antena local de comunicações. As pessoas iam ouvir a música e na terça-feira seguinte compravam o jornal blitz para verem as fotos e lerem as reviews. Mas o mais importante de tudo é que as pessoas que estavam ali, estavam ali para ver as suas bandas preferidas actuar. Em 17 anos o landscape dos festivais de música mudou muito. Mas as pessoas que os frequentam também mudaram. Hoje em dia o festival é um acontecimento social, é o evento cool do fim de semana. Vai-se para ver e ser visto. A música passou para segundo plano. Não importa o cartaz, importa aparecer. Vai-se conversar com os amigos e não para ouvir a música. Quando comecei a ir a festivais de música, levava-se a roupa mais podre que tivéssemos em casa, para poder apanhar banho de cerveja. Nos dias de hoje saem artigos sobre os "10 outfits mais cool para arrasares no festival" e trocou-se o eyeliner preto esborratado por glitter e coroas de flores. Sei que pareço um velho do restelo, mas cada vez tenho menos paciência para esta existência bacôca das redes sociais. A descarga de dopamina deixa de vir de cantar a plenos pulmões a música da nossa vida, mas do número de likes que a nossa foto gerou. E isso arruína a experiência de quem está ali pela música. E eu gostava muito que parassem de me arruinar os festivais.

9.1.19

2019

Amigos
Jantares
Gargalhadas
Turistar
Bebedeiras
Concertos
Rir
Praia
Homens e os seus dramas


7.1.19

Querido Blogue,

Dou comigo muitas vezes a pensar qual é o meu problema. E cheguei a duas conclusões. Nenhum dos problemas é de facil resolução, mas partilho aqui para quando precisar de voltar a esta reflexão.
Por um lado sou muito exigente com as pessoas com quem me relaciono. Há alguns valores universais pelos quais me guio e que exijo que quem me rodeia também os possua. Chamo a isto o meu compasso moral. Isto quer dizer que sou pura a impoluta? Ahahahah. Não. Vá-de retro! Não sou e jamais serei a madre Teresa de Calcutá. Isto faz com que vá eliminando pessoas da minha vida sempre que elas me mostram quem são na realidade. Tenho tolerância zero para racismo, homofobia, intolerância, egoismo, narcisismo, ignorância, hipocrisia e cinismo. E desculpas esfarrapadas também. Antes uma verdade dolorosa do que uma mentira piedosa. Sou má e fria e vou fazer call on your bullshit se achar que mereces. Não papo grupos. Isso faz com que eu caia no espectro das cold heart bitches.
Por outro lado não tenho espaço para acolher a partilha da minha vida com outra pessoa. Tenho 32 anos e vivo sozinha. Não me imagino a dividir o meu espaço com ninguém. Não imagino ninguém a mudar-se para aqui. Não é só pela falta de espaço fisico. É também uma coisa mental. Habituei-me a estar assim. A ser dona e senhora do meu nariz. A chegar quando quero. A sair quando quero. A ter todo o tempo do mundo e mais algum. A deixar a loiça suja no lava loiça. A não aspirar a casa se não me apetece. A decidir como e a quem dedico o meu tempo. A fazer planos de improviso e viver bem assim. Não me imagino a lavar a roupa suja de ninguém. Porque partilhar a vida com alguém é giro, mas há cuecas que precisam ser lavadas no fim do dia. E eu acho que não estou preparada para isso. E assim fica difícil arranjar espaço para encaixar outra pessoa na minha vida.

21.11.18

Querido blogue,

Se eu ganhasse um euro por cada vez que ouvi a frase: "És uma mulher super interessante, não percebo como podes estar sozinha" estava rica.

5.10.18

Querido Blogue,

Dei comigo a percorrer exactamente o mesmo caminho que iniciei há um ano atrás.
Para mim o ano começa em Setembro. Setembro é o mês de recomeços, é o mês dos planos, é o mês das resoluções. Em Setembro do ano passado predispus-me a sair com pessoas. Diz-se que nunca nada de bom veio das zonas de conforto e eu saí da minha. Coisas boas aconteceram, coisas menos boas aconteceram também. Saí e conheci um monte de pessoas novas. Apaixonei-me. Mas também se diz que o que tem de ser tem muita força e neste caso não tinha de ser. Curei um coração partido e parti para outra. Diverti-me. Mas depois de ter dado guia de marcha aos outros dois moços dei comigo no Tinder outra vez. E no início aquilo é divertido. Mas depois apercebi-me que estava a ter as mesmas conversas de há um ano atrás. E que um ano depois estava exactamente no mesmo ponto. Fazer swipe, começar uma conversa, trocar numeros, beber um copo. E percebi que este era um caminho que eu não queria percorrer outra vez. Apaguei o Tinder. Voltei à estaca zero. Começar de novo. Olá Outubro.

11.9.18

Querido blogue

Mudei de emprego duas vezes e trabalhei em 3 sítios diferentes
Fiz uma pós graduação
Vivi na Suiça
Tirei um curso de inglês
Andei no ginásio
Fui a festas, festivais de verão, jantares onde só conhecia uma pessoa
Fui a Amesterdão, Madrid, Bruxelas, Estocolmo, Paris, Cork, Lausanne, Basel, Barcelona e Nova Iorque
Aderi ao tinder contrariada
Conheci centenas de pessoas novas
Cruzei a vida de milhares de pessoas

E nestes 6 anos não conheci ninguém que me enchesse as medidas, que me quisesse, que valesse a pena, que funcionasse. Estou um bocado saturada de estar sozinha. Sei que isto são as hormonas a falar e a TPM a fazer das suas, mas estou um bocado cansada de olhar para todos os lados e não ver ninguém com quem me apeteça partilhar a vida ou construir uma vida a dois.

Ja esperei que caisse do céu e hnão caiu. Já me fiz à vida e fui procurar e também não aconteceu.

Melhor conformar-me que não vai acontecer e adoptar gatos. Esses ao menos amam-me enquanto lhes limpar a caixa e lhes der comida.



9.9.18

Querido Blogue,

Dei guia de marcha aos moços.
Voltei ao tinder.
É o terror.

21.7.18

Querido blogue,

De que me serve andar com dois, se nenhum deles me leva a passear ao sábado à tarde?

2.7.18

Querido Blogue,

Ando a brincar com o fogo. Tenho dois amores e não sei de qual gosto mais. Não são bem dois amores, são dois potenciais candidatos a terem um pequeno espacinho na minha vida. Mas faço desde já o disclaimer que não ando a enganar ninguém. Num deles já molhei a sopa. No outro ainda não. Nenhum deles sabe que o outro existe, mas também não têm de saber. Não me sinto nem um bocadinho mal com isso. Mas ando aqui a entreter dois moços até que me decida por um. Ou por nenhum. Ou se calhar fico com os dois. É as vantagens de nunca de assumir uma relação. Nunca me tinha apercebido disso.... Nesta era dos tempos modernos em que não se está, fica-se. Em que não se namora, anda-se. Tudo é cinzento e indefinido, um chove mas não molha. Não se assumem compromissos, logo não se trai. Não tendo uma relação com nenhum deles, não estou a trair ninguém, ou estou?

30.5.18

Querido Blogue,

Ontem vi um jovem casal a discutir e a agredir-se mutuamente com empurrões e safanões. Antes que a Conceição Lino saísse detrás de um arbusto de microfone em riste chamei a polícia. A polícia veio e falou com o casalinho. Primeiro juntos depois separados. Desconheço o que a polícia lhes terá dito. No fim o casalinho foi-se embora junto. Ela subjugada debaixo do braço dele, ele a rir-se. Eram garotos ainda, não deviam ter 20 anos sequer. Não me espanta que ela um dia destes leve umas bofetadas e apareça com um olho negro. Começa sempre assim. Primeiro com palavras, depois com empurrões e vai escalando. Custa-me ver duas pessoas tão jovens a acharem normal este comportamento numa relação. Eu fiquei de consciência tranquila por ter feito o meu papel. Mas não consigo deixar de me angustiar com o que vai ser daquela miúda.